
No Algarve, a cultura material desenvolveu-se a partir da relação entre território, necessidade e engenho. A Brecha Algarvia integra a identidade geológica da região, enquanto a latoaria acompanhou, durante gerações, a vida quotidiana das comunidades rurais através de objetos simples, funcionais e duradouros.
Foi a observação desse universo que deu origem a esta coleção. Baldes, funis, garrafeiras e peças planificadas deixam de ser vistos apenas como utensílios e revelam a inteligência construtiva da latoaria, onde cada dobra, encaixe e união resultam de um profundo conhecimento técnico. Miguel Soeiro recupera esta linguagem para a reinterpretar através do design contemporâneo.
Desenvolvida sob a curadoria e direção de produção da Olivah, a coleção foi sendo construída em estreita colaboração entre o designer, a indústria da pedra e os mestres latoeiros. A pedra, fornecida pela Rocha Verde e transformada pela Alfredo Antunes Flor, encontra a produção em latoaria de David Fernandes, traduzindo um diálogo onde formas utilitárias do quotidiano ganham uma nova expressão escultórica sem perder a memória do ofício.
Mais do que reinterpretar a latoaria, a coleção demonstra que os objetos do quotidiano podem continuar a contar a história de um território, preservando a inteligência do saber-fazer através do design contemporâneo.
Uma criação promovida pela ASSIMAGRA, com financiamento do PRR no âmbito da Agenda Verde Sustainable Stone by Portugal.
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